31 outubro 2020

A maior dor

       Mas, quase simultaneamente, vemos que, ao adjetivo “crucificado”, vem juntar-se um outro: “abandonado”.

      O que significa isto? Como se deu a manifestação de Jesus Abandonado como vocação específica nossa?

      Em 24 de janeiro de 1944, um sacerdote nos dissera que a maior dor de Jesus foi quando gritou na cruz: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” (Mt 27,46; Mc 15,34).

      Na época, ao contrário, o pensamento corrente entre os cristãos era que fora a dor sentida no Getsêmani. Mas nós, tendo uma grande fé nas palavras do sacerdote porque ministro de Cristo, acreditamos que a dor do abandono fora a dor máxima.

      Por outro lado, sabemos hoje que essa convicção está-se tornando patrimônio comum da teologia e da espiritualidade.

      O encontro com aquele sacerdote foi uma circunstância extrínseca, mas — constatamos isso agora — era a resposta que Deus dava a uma prece nossa, quando, fascinadas pela beleza do seu Testamento, nós, primeiras focolarinas, todas unidas, havíamos pedido a Jesus, em seu nome, que nos ensinasse a realizar a unidade, que Ele rogara ao Pai antes de morrer.

      E até hoje, nestes cinquenta e seis anos de vida do Movimento, sempre experimentamos que é justamente o amor a Jesus crucificado e abandonado aquilo que possibilita colocar em prática a unidade.

30 outubro 2020

O livro dos livros

      E que o Crucificado se tenha manifestado bem cedo na vida das primeiras focolarinas com a necessidade de imitá-lo, para concretizar o nosso amor a Deus, no-lo atestam alguns conceitos de uma carta minha, datada talvez de 1944.

      Mando para vocês um pensamento que sintetiza toda a nossa vida espiritual: Jesus crucificado!

      Tudo está aqui.

      É o livro dos livros.

      É a síntese de todo saber.

      É o amor mais ardente.

      É o modelo perfeito.

      Proponhamos que ele seja para nós o único ideal da vida.

      Foi ele quem arrebatou são Paulo a tamanha santidade…

      Nossa alma, carente de amar, ponha-o sempre diante de si em cada momento presente.

      Não seja sentimentalismo o nosso amor.

      Não seja compaixão exterior.

      Seja conformidade (a ele).

29 outubro 2020

Quem é o amor?

      Um precedente da nossa história.

Não havia ainda o primeiro focolare. Nem eu conhecia ainda a primeira de minhas companheiras. Eu era professora. Um dia, aproximou-se de mim uma pessoa muito atuante, uma dirigente de um grupo de jovens que ela conseguira atrair para a religião com encontros recreativos, músicas, histórias divertidas. Perguntou-me se eu podia fazer uma palestra para eles. Respondi afirmativamente.

      “Sobre o que você vai falar?”, perguntou-me. “Sobre o amor”, disse. “E o que é o amor?”, prosseguiu, curiosa. “Jesus crucificado”, respondi.

      Talvez tenha sido essa a primeira vez em que falei d’Ele, em minha vida de futura focolarina.

      Naquela época, até em ambientes notoriamente fiéis à religião, como aquele de onde todas nós provínhamos, não era comum ouvir-se falar de amor. E muito menos acreditar que o Crucificado, que atrai todos a si, fosse uma arma válida para o apostolado, inclusive neste século.

      Mas — confesso — até hoje não sei quem me pôs nos lábios aquela definição do amor.

      Mais tarde entendi: Jesus crucificado — é o que também diz são Paulo — “se entregou por nós” (Ef 5,2), “se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2,20).

28 outubro 2020

Como a Igreja

      Foi exatamente no abandono de Jesus na cruz que, desde o início do Movimento, Deus concentrou a nossa alma e foi nesta dor e por esta dor, ponto culminante da Paixão, que o nosso Movimento se desenvolveu.

      Os fatos se desenrolaram como vou explicar; entretanto, é possível fazer uma constatação desde já: as linhas da grande história da fundação da Igreja, de certo modo, também se encontram na história do nosso Movimento, que é Igreja, feitas as devidas proporções. É uma obra, a nossa, que tem a fisionomia de sua Mãe, como afirmou João Paulo II em agosto de 1984: “Vejo que seguis de modo autêntico aquela visão da Igreja, aquela definição que a Igreja deu de si mesma no Concílio Vaticano II” (João Paulo II, 1984, p. 25).

      Sabemos que o ponto de partida da salvação do gênero humano foi o amor de Jesus pelo Pai. Esse amor estimulou Jesus a cumprir o que o Pai desejava, isto é, a fazer a vontade do Pai. Mas a vontade do Pai se resumia praticamente em amar os irmãos e Jesus deu sua vida por amor a eles: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13), dissera Ele.

      Ora, se observarmos o nosso Movimento, vemos que ele também parte de um desejo de amor: amar a Deus, redescoberto como Amor, como Pai, nos primeiros dias de nossa história.

      Também para nós, esse amor se traduzia e se traduz em fazer a vontade de Deus, que se resume no Mandamento Novo: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12).

      De modo que, inclusive para nós, amar a Deus tem este significado: estarmos prontos a morrer uns pelos outros (cf. Jo 15,13).

27 outubro 2020

Sacerdotes também nós

      Mas o fato de o Apóstolo falar de sacrifício vivo e de culto espiritual significa que também nós somos sacerdotes, daquele sacerdócio “real” conferido a todos os cristãos no Batismo.

      De fato, Pedro exorta:

      Também vós, como pedras vivas, constituí-vos em um edifício espiritual, dedicai-vos a um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus por Jesus Cristo. (1Pd 2,5).

      E o Apocalipse diz dos cristãos: “serão sacerdotes de Deus e de Cristo” (20, 6).

      Na verdade, cada cristão é sacerdote em Jesus, porque a unidade já foi restabelecida, o acesso a Deus não se reserva mais ao sumo sacerdote uma vez por ano, como no Antigo Testamento, mas a todos os batizados, que se tornaram “uma raça eleita, um sacerdócio real” (1Pd 2,9).

      O culto que o Pai quer de nós é um culto espiritual (“sacrifícios espirituais”, diz Pedro), como Ele quis do próprio Jesus.

      A oferenda consiste — segundo Paulo — em se transformar e se renovar na mente, “a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus” (Rm 12,2).

      Discernir qual é a vontade de Deus para fazê-la.

      Fazer aquela vontade de Deus, a que também o nosso Movimento dá tanto relevo, como expressão do nosso amor a Deus.

      E a vontade de Deus, que seguimos, faz-nos ao mesmo tempo sacerdotes e vítimas. Talvez Deus tenha suscitado nosso Movimento visando também a esta finalidade: contribuir para reavivar o sentido sacerdotal no povo cristão, como almeja o Concílio Vaticano II (cf. LG 10 e 34), consoante o estilo dos primeiros cristãos.

26 outubro 2020

A parte que nos cabe

   Mas, para usufruir de tanta graça, o homem também deve fazer uma pequena parte. Antes de mais nada, deve aceitar na fé este dom de Deus, que lhe é transmitido no Batismo. Nele, fomos mortos e sepultados com Cristo. E, por ele, ressuscitaremos4.

      Além disso, Deus nos deu também um corpo para que, por meio dele, lhe obedeçamos.

      Uma obediência que significa cumprir a sua vontade, já que fomos santificados e transformados em irmãos de Jesus.

      Daqui provém a nossa possibilidade de fazer também da nossa vida um sacrifício.

      Paulo assim se expressava:

      Eu vos exorto, pois, irmãos, em nome da misericórdia de Deus, a vos oferecerdes vós mesmos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este será o vosso culto espiritual. (cf. Rm 12,1)

25 outubro 2020

Jesus abandonado, nosso irmão

      No abandono, reduzindo-se Jesus, por assim dizer, a um simples homem, torna-se nosso irmão. Mas, sendo Deus, elevou a nossa convivência a uma fraternidade sobrenatural, fez-nos um com Ele: “Eu neles e Tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade” (Jo 17,23).

      Pois, tanto o Santificador quanto os santificados, todos, descendem de um só; razão porque não se envergonha de os chamar irmãos. (Hb 2,11)

      Também nós notamos muitas vezes que Jesus, após a ressurreição, chamava os seus discípulos de irmãos.

      “Não temais! Ide anunciar a meus irmãos que se dirijam para a Galiléia” (Mt 28,10).

24 outubro 2020

Jesus Abandonado, o Redentor

       No abandono, Jesus é a figura mais autêntica, mais genuína, mais plena, mais expressa do Redentor. Aqui a redenção tem o seu ápice.

     Diz Pasquale Foresi:

      Jesus Abandonado é o símbolo, é o sinal, é a indicação precisa dessa redenção. Mesmo que a redenção se tenha processado em todas as dores espirituais e físicas de Jesus, a dor maior, a que simboliza toda a redenção, teve lugar no momento em que Ele sentiu a separação do Pai. Naquele instante Ele reuniu a humanidade ao Pai.

      Portanto, pode-se ver em Jesus Abandonado a dor típica com a qual se consumou a redenção do gênero humano. (Foresi, 1988, pp. 56-57)

      No Horto, Jesus se preparava para cumprir a redenção. A sua ressurreição é fruto de sua morte física, mas sobretudo espiritual.

      No abandono Jesus é, em ato, o Redentor; é o Mediador: tendo-se feito nada, une os filhos ao Pai.

23 outubro 2020

Assim nasce a Igreja

      Tendo-nos gerado naquele grito, aqui nasce a Igreja, o povo novo.

      Aqui é dado o Espírito Santo.

      O Espírito Santo que, como Deus, unia Jesus ao Pai.

      E, no abandono, se obscurece em Jesus o vínculo com o Pai.

      Diz Chardon:

      Sendo o Espírito Santo o verdadeiro Paráclito, isto é, o perfeito Consolador […], produz internamente na alma [de Jesus] uma cruz mais desastrosa [… do que aquela exterior] com a suspensão de suas maravilhosas consolações. (Chardon, 1895, pp. 262.264)

      É o preço do dom que o Espírito Santo nos faz, como vínculo que une todos os homens com Jesus e entre eles, formando o Corpo Místico de Cristo, o Cristo total.

      É no abandono que o sacrifício de Jesus manifesta todo o seu caráter interior, espiritual, divino.

      Dissera Ele à samaritana que se aproximava a hora, e era aquela, em que os verdadeiros adoradores adorariam o Pai em espírito e verdade (cf. Jo 4,23).

      Aqui está em Jesus o Adorador por excelência.

22 outubro 2020

Como entendê-lo um pouco

      É um mistério, portanto, este abandono, mistério do qual pode ter certa compreensão quem vive a Espiritualidade da Unidade fundamentada justamente tanto no abandono de Jesus, como na unidade, que Ele pede ao Pai na sua oração-testamento: que “todos sejam uma coisa só” (cf. Jo 17,21).

      Quem vive assim sabe que, depois que a unidade se realiza entre alguns, eles se distinguem, para se unirem posteriormente em uma unidade nova, mais plena.

      Por exemplo, para resolver um problema num encontro qualquer do Movimento, reunimo-nos, estabelecendo, antes de tudo, a presença de Jesus em meio a todos, a fim de encontrar a solução, com o Seu auxílio. Depois nos deixamos e cada um, enriquecido por aquela comunhão, parte para pôr em prática o que foi visto. Em outra ocasião, haveremos de nos reunir novamente, com uma união que sentiremos mais plena, para nos separarmos mais tarde, e assim sempre.

      Este é — parece-nos — um modo de viver entre os homens aqui na terra, segundo a Santíssima Trindade.

            O que o Pai faz com Jesus-Deus é, portanto, distinção, uma ação de amor.

      Para Jesus-Homem ela se revela divisão, e é dor porque é ação de justiça. Como Ele se fez um com a humanidade pecadora, sente na sua humanidade a distância de Deus.

      Chardon escreve:

      Deus, o Pai celeste, serve-se dos algozes e dos demônios para o martírio exterior de seu Filho, enquanto se reserva ser a causa imediata de sua paixão interior […].

      Quando Ele mesmo [o Pai], sem o intermédio de suas criaturas…, quais instrumentos adequados para fazê-lo sofrer, aplica-se em ser não tanto o princípio de cruz, mas a própria cruz de seu Filho, […] Ele lhe esconde a sua qualidade de Pai, mas também a de Deus, no aspecto em que faz as torrentes das doçuras de sua bondade fluírem, então Jesus não mais o chama de seu Pai, mas de seu Deus. (Chardon, 1895, pp. 256-257)

21 outubro 2020

Os santos e a cruz

 Por estar muito próximo ainda da passagem de Jesus pela terra, Inácio, bispo de Antioquia, interpreta ao pé da letra as palavras “toma a tua cruz” no caminho para o martírio, e escreve aos Romanos:

      Pedi para mim apenas a força interior e exterior, para que eu não só diga, mas queira ser cristão; não só seja chamado, mas de fato o seja. […] Então, quando o mundo não puder mais ver o meu corpo, serei verdadeiramente discípulo de Jesus Cristo. […] É agora que começo a ser um verdadeiro discípulo. Que nenhuma coisa visível ou invisível me impeça de obter a posse de Jesus Cristo! Fogo, cruz, encontro com as feras, dilaceramentos, esquartejamentos, deslocamentos de ossos, mutilações dos membros, trituração de todo o corpo, os mais perversos suplícios do diabo caiam sobre mim, contanto que alcance a posse de Jesus Cristo. […] Ouvi, antes, o que agora vos escrevo, pois é na plenitude da vida que exprimo meu desejo ardente de morrer. Minhas paixões humanas foram crucificadas, não há em mim fogo para amar a matéria. Não há senão a “água viva” que murmura dentro de mim e me diz: “Vem para o Pai”. (Aos Romanos, 1985, pp. 22-23)

      Os santos, que são os cristãos realizados, apreenderam o segredo, o valor da cruz.

      A propósito, assim diz Grignion de Montfort:

      A Sabedoria, enquanto espera o grande dia do seu triunfo no Juízo Final, quer a cruz como distintivo e arma de todos os eleitos. Com efeito, não acolhe filho algum que não a tenha como distintivo, nem recebe discípulo algum que não a traga na fronte, sem enrubescer; no coração, sem desgosto; e nos ombros, sem arrastá-la ou rejeitá-la […]. Não aceita soldado algum que não a empunhe como uma arma para defender-se e atacar, para desbaratar e esmagar todos os seus inimigos. Grita para eles: “Tende coragem: eu venci o mundo!” (Jo 16,33) […]. Eu, o vosso chefe, venci o meus inimigos com a cruz, e vós também o fareis por meio deste sinal! (Grignion de Montfort, 1990, pp. 204-205)

20 outubro 2020

Jesus, modelo para os cristãos

      Desde aquele tempo feliz em que Cristo viveu, morreu e ressuscitou, Ele tornou-se o Caminho, o modelo para cada um de nós.

      Como Jesus, o cristão deve amar o Pai e, por isso, fazer a sua vontade, a Ele submeter-se. E a vontade de Deus para o cristão é que ele também chegue à glória, à felicidade, pelo caminho da cruz, como Jesus.

      Ele mesmo é quem nos ensina como segui-lo. De fato, diz a todos: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me” (Lc 9,23).

      Seguir Jesus é, antes de mais nada, uma renúncia. É o renunciar a si mesmo, que não queremos entender no mundo de hoje, na ilusão de existir um cristianismo sem dificuldades. Mas a doutrina de Jesus é clara e forte: não é de modo algum a falta de freios morais! Paulo diz: “Mortificai, pois, os vossos membros terrenos: fornicação, impureza, paixão, desejos maus e a cupidez, que é idolatria” (Cl 3,5), porque aspirar às coisas terrenas é conduzir-se como “inimigos da cruz de Cristo” (Fl 3,18).

      Seguir Jesus quer dizer também tomar a própria cruz cada dia.

      Jesus alude a cada dor de cada dia: que sejam aceitos todos os pequenos sofrimentos diários. Mas ao nos exortar a tomar a nossa cruz, deu sentido e valor também ao nosso padecer.

      Lembro quão grande foi a minha impressão em Jerusalém, ao nos mostrarem no Calvário o furo onde foi plantada a cruz de Jesus. Joelhos por terra, aniquilada quase em adorador reconhecimento, só uma ideia me veio à mente: se não tivesse havido esta cruz, todas as nossas dores, as dores de todos os homens não teriam tido um nome.

      Mas, “Cristo não mostra apenas a dignidade da dor”, diz Paulo VI. “Ele lança a vocação para a dor… convoca a dor (inclusive a nossa) para sair da sua desesperada inutilidade e, se unida à sua, tornar-se fonte positiva de bem” (Paulo VI, 1964, p. 212).

19 outubro 2020

Jesus cruscificado

      Jesus crucificado!

      O que dizer? Como falar d’Ele de modo apropriado?

      É homem como nós, e sabemos disso. Mas é também Deus. E é amor. Veio entre nós por uma obra que a todos nós diz respeito, que toca cada um pessoalmente. Ele nos criou, no entanto arruinamos o dom que nos deu e que deturpamos continuamente. Com a vida, herdamos as lágrimas, o sofrimento e, ao final dela, a morte, a anulação aparente de tanta experiência feita.

      Mas eis que Ele entende a situação dos homens, conhece as lamentáveis vicissitudes de sua história, tem compaixão deles e desce à terra, carregando sobre si tudo o que o homem devia suportar. “Deus não quer que o homem se perca” (cf. Jo 6,39) e o salva. Portanto, Jesus sofre e morre pelo homem.

      Com o homem, conosco, e como nós morre e depois… ressurge.

      “Era necessário” (cf. Mc 8,31), diz Jesus quando se aproxima a hora do padecimento. Mas era necessário o quê? E para quem?

      Ele assumira ser necessário encarnar-se, sofrer e morrer por nós, porque é amor!

      Eis a vocação extraordinária do Homem-Deus, totalmente diferente, o oposto daquela a que os homens em geral aspiram.

      Veio para “dar a sua vida em resgate por muitos” (Mt 20,28).

      Tudo fora predisposto pelo Pai. Jesus se sujeita. Mas, como diz Isaías sobre o Servo do Senhor que se ofereceu porque quis1, Jesus quer a vontade do Pai. Ele a quer porque antes de tudo ama o Pai 2.

      E a este amor o Pai corresponde com o seu poder e realiza um ato, que jamais realizara depois da Criação, isto é, a “Nova Criação”: a ressurreição.

      Por meio dela, também o corpo de Jesus, “fraco” e passível de dor e de morte, transfigura-se, glorifica-se (cf. 2Cor 13,4), pronto para subir à direita do Pai.

      Assim, o Homem-Deus abre a porta da Trindade para os homens redimidos.

18 outubro 2020

Um cântico

O assunto que me proponho desenvolver neste livro é, para mim e também para os membros do Movimento dos Focolares, de capital importância, de um fascínio ímpar e, por isso, requer um empenho todo especial.

      Na realidade, devo falar d’Aquele que um dia, um dia preciso, diferente para cada um, na única vida que Deus nos deu, nos chamou para segui-lo, para nos doarmos a Ele: Jesus crucificado.

      Entende-se, então, por que tudo o que eu gostaria de dizer nestas páginas, não deveria ser um tema ardente e vivo, embora familiar, mas quer ser um cântico, um hino de alegria e de gratidão Àquele que, elevado na cruz, nos atraiu também a nós junto com tantos outros cristãos, fazendo-nos participar neste século — e de modo singular — do grande drama de sua paixão, pela qual, n’Ele, tudo foi recapitulado (cf. Ef 1,10), e — de modos diversos — de sua ressurreição.

      Não conseguirei, é lógico, expressar tudo o que sinto, ou deveria sentir, por Aquele por cujo amor tantas vezes afirmei que a minha vida possui um segundo nome, que é: “obrigada”.

      E, como Ele ama pessoalmente cada um de nós e cada Movimento surgido na Igreja, falarei sobretudo do aspecto peculiar com que se apresentou a nós, a mim em primeiro lugar, para nos pedir que a Ele nos uníssemos para sempre: Jesus crucificado em seu grito de abandono.

      O abandono de Jesus na cruz, que despertara o interesse dos Padres da Igreja nos primeiros séculos, que foi um pouco aprofundado na Idade Média, quase ignorado pelos teólogos dos séculos posteriores e mencionado por alguns santos, agora é foco de interesse de muitos contemporâneos nossos, nos quais este mistério abissal não pode deixar de suscitar pelo menos curiosidade num tempo em que vivemos uma noite de Deus própria da época, como disse João Paulo II.

      Com este trabalho, procurarei oferecer, acima de tudo, uma breve síntese de quem Ele foi e é para a nossa vida pessoal e a da Obra de Maria.

17 outubro 2020

Jesus em meio

Hoje quero explicar-lhes um dos pontos da nossa espiritualidade, mas que é importantíssimo, quase, quase diria que é o mais importante, e é Jesus em meio.

Vocês sabem, popas, que para mim, nesta época, é vontade de Deus escrever, porque um dia vou morrer. Ora, precisa deixar as coisas exatamente como nasceram, exatamente, porque mais tarde já não existirá quem as viveu nos primeiríssimos tempos e também quem as recebeu diretamente de Deus, como pode ser o meu caso. Portanto, é muito importante que eu fale em todos os encontros, etc.; porém, ainda mais importante é que eu escreva.
Por outro lado, estou me dando conta de que: mesmo após ter escrito, se eu não comunicar o que escrevi, confrontando-o com Jesus no meio, o escrito não será exatamente como eu gostaria que fosse; portanto, escrevi este tema sobre Jesus em meio, este "capítulo" da nossa espiritualidade sobre Jesus em meio.
Porém, assim que acabar de comunicá-lo a vocês, tenho a certeza de que vou corrigir alguma coisa, de modo que seja realmente Jesus em meio a nós a aprovar este meu escrito. [...]
Aconteceu assim: nos primeiríssimos tempos Deus nos encaminhou por uma estrada bem definida e era a via do amor, a via da caridade. E dado que eu não me encontrava sozinha a percorrer esta estrada, mas estava com outras focolarinas.
[...] Naturalmente, esta via da caridade transformou-se para nós em caridade recíproca e, para nós, o mandamento novo de Jesus passou a ser lei: "Amai-vos uns aos outros”. Já que estávamos sempre juntas, vivemos o “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”, com todos os matizes que este conceito contém. Porque amar... não é brincadeira! Não tem nada a ver com o sentimento;
por exemplo, é tudo quanto diz São Paulo: “A caridade tudo espera, tudo crê, tudo suporta, nunca pensa mal” e assim por diante..., “é paciente...”, e continua, é tudo quanto diz São Paulo. Portanto, devíamos treinar para possuir esta caridade uma pela outra, para termos o amor recíproco.
E o amor recíproco queria dizer amar o outro como a si mesmo e vice-versa; por exemplo, colocar em comum também as nossas experiências, inclusive espirituais, porque o Senhor não havia dado limites à caridade, não havia dito: "Ama o próximo como a ti mesmo no plano material”, partilhando os poucos bens, mas também no plano espiritual, basta que seja movido sempre pela caridade, que contém em si todas as outras virtudes, como por exemplo a prudência. No sentido de que certas coisas não podiam ser ditas, porque deveriam ser ditas, talvez, ao confessor. No entanto, o que se podia dizer e era caridade dizê-lo, porque servia também às outras, devia ser dito. Logo, colocavam-se em comum as experiências, como ainda hoje se faz nos focolares, não é verdade?
Nós começamos a amarmo-nos assim e notamos que a caridade tornava-se recíproca e levava-nos em direção a Deus, vivendo uma santidade não individual, mas coletiva, a ir a Deus juntas; isto é, a minha santidade estava ligada à santidade de Lia, à santidade de Brunetta, à santidade... A tal ponto que eu dizia: “Caso eu morra, mesmo que me santifique, vocês não podem me declarar santa enquanto vocês não morrerem também, certificando-nos que se santificaram”. Naturalmente, pode acontecer que uma seja santa, talvez a Natália, e mais ninguém, porque as demais não corresponderam. Todavia, ela possuía a virtude heróica não obstante tudo. Porém, estávamos ligadíssimas.
Portanto, uma caridade coletiva, uma via coletiva, manifestou-se de imediato e foi muito clara. Talvez seja a característica... Não posso agora fazer divagações. Contudo é uma das coisas mais importantes do nosso Movimento, este coletivismo cristão, este: “juntos ou nada”, quase. (...)
Chiara Lubich.
Grottaferrata, 26 de fevereiro de 1964

16 outubro 2020

Maria, mãe do rosário

 “Uma vez fui a Assis com os luteranos. Em frente à basílica, onde se encontra o corpo de São Francisco, havia uma parede e no topo encontramos um rosário. Mostrei aos luteranos e eles me perguntaram: Chiara, o que é o rosário para você? Por que recitam todas essas “Ave-Marias cheias de graça, o Senhor está convosco” ... e repetem sempre a mesma coisa? Eu respondi: quando amamos uma pessoa, gostaríamos sempre de dizer: eu te amo; a gente quer continuar dizendo, escrevendo, mandando com um presente, com um beijo. Muitas vezes gostaríamos de dizer à nossa mãe: eu gosto de você.
Nós, católicos, amamos muito Nossa Senhora. É por isso que repetidamente dizemos: 'Bendita és tu entre as mulheres. Bendito o fruto do vosso ventre de Jesus ”, que é a Ave Maria, certo?
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor está convosco, bendita és tu entre as mulheres, bendito é o fruto ...
E queremos dizê-lo muitas vezes, muitas, muitas vezes, porque amamos Nossa Senhora. Disseram: "Agora entendemos o rosário". Amem
Maria com a oração do Rosário.

28 giugno 1978

15 outubro 2020

Como o Criador

      A fé no amor que Deus faculta às suas criaturas, fé típica de nós, cristãos, descobrimo-la em muitos irmãos e irmãs de outras religiões, a começar pelas abraâmicas, que afirmam a unidade do gênero humano, o zelo que Deus dispensa a toda a humanidade e a obrigação de cada criatura humana de agir como o Criador, com imensa misericórdia por todos.

      Reza um provérbio muçulmano: “Deus perdoa cem vezes, mas reserva a sua suprema misericórdia para aquele cuja piedade poupou a menor de suas criaturas” 1.

      Que dizer da compaixão sem limites por todos os seres vivos que Buda ensinou, aconselhando seus primeiros discípulos: “Ó monges, deveríeis trabalhar pelo bem-estar de muitos, pela felicidade de muitos, movidos de compaixão pelo mundo, pelo bem-estar dos homens”? 2

      Portanto, amar a todos. É um princípio universal. Sentido pelos seres humanos de qualquer época, e debaixo de qualquer céu.

   

          1 Cf. GUZZETTI, G. M. Islam in preghiera. Roma : Elle Di Ci, 1991, p. 13

         2 Mahagga, 19.

14 outubro 2020

Faz da terra um Céu

      Amar os irmãos individual e coletivamente… Portanto, amar o próximo, um por um, e respeitar cada povo no mais alto grau.

      Disso nasce uma mudança radical de mentalidade, disso nasce uma total novidade de vida.

      Se todos fizessem isso, a terra já seria um Céu.

13 outubro 2020

A revolução cristã

 O amor por todos é fecundo demais. É experiência de tanta gente que bastaria viver apenas esse aspecto da caridade, ou seja, do amor verdadeiro, o amor de Deus, para deflagrar uma revolução ao redor, partindo do próprio bairro: a revolução cristã, aquela revolução que os primeiros cristãos levaram ao mundo de então.

12 outubro 2020

Por um mundo novo

      É preciso criar um mundo novo, onde todos se amam.

      É isso o que Deus quer. E é preciso começar por algum lugar.

      É um ponto estratégico, o dos cristãos: poderem começar a amar porque — sendo amados por Deus — sabem amar também os inimigos.

      De fato, os cristãos são particularmente capazes de superar as dificuldades encontradas quando se ama, porque o amor que possuem é um amor forte. Na qualidade de filhos de Deus, participam do mesmo amor de Deus, de Deus que é Amor.

11 outubro 2020

Até os inimigos

       “Amai os vossos inimigos” (Mt 5,44). Isso sim vira pelo avesso nosso modo de pensar e faz que todos dêem uma guinada no timão da própria vida!

      Porque, sejamos sinceros, algum inimigo… pequeno, ou grande, todos nós temos.

      Ele está ali por trás da porta do apartamento vizinho, na senhora tão antipática e implicante, que procuramos evitar toda vez que está para entrar conosco no elevador…

      Está naquele parente que prejudicou nosso pai trinta anos atrás, e que, por isso, deixamos de cumprimentar…

      Está sentado na carteira de trás na escola, e ninguém nunca mais quis olhar para a cara dele, depois de ele nos ter delatado ao professor…

      É aquela moça, outrora amiga, que depois foi embora com outro…

      Ou aquele comerciante que nos enganou…

      São aqueles que, politicamente, não pensam como nós e por isso consideramos inimigos.

      E atualmente há quem considera inimigo o Estado, e com prazer pratica violência contra seus representantes.

      Do mesmo modo que existe, e sempre existiu, quem considera inimigos os sacerdotes e odeia a Igreja.

      Pois bem, todos esses e uma infinidade de outros, que chamamos de inimigos, devem ser amados.

      É isso, sim! Devem ser amados!

      É difícil suportar? É penoso? Faz perder o sono só de pensar?

      É preciso coragem. Mas não é o fim do mundo: um pequeno esforço de nossa parte, pois noventa e nove por cento é Deus quem faz e… no coração, sentimos uma enxurrada de alegria.

10 outubro 2020

Um coração de mãe

 Façamos este propósito: vou comportar-me com todas as pessoas de quem me aproximar, ou para quem trabalhar, como se fosse a mãe delas.

      A mãe sempre acolhe, sempre ajuda, sempre espera, tudo cobre. A mãe perdoa tudo ao filho, mesmo que ele seja um delinquente ou um terrorista.

      De fato, amor de mãe é muito semelhante à caridade de Cristo, de que fala Paulo2.

      Se tivermos um coração de mãe ou, mais especificamente, se nos propusermos a ter o coração da Mãe por excelência, Maria, estaremos sempre prontos a amar os outros em todas a circunstâncias.

      Amaremos a todos e não apenas aos membros da nossa Igreja, mas também aos membros das outras. Não apenas os cristãos, mas também os muçulmanos, os budistas, os hinduístas etc. Inclusive os homens de boa vontade, inclusive cada homem que vive na terra. Porque a maternidade de Maria é universal, como universal foi a Redenção.

09 outubro 2020

Servir

       Amar quer dizer servir. Jesus nos deu o exemplo. Primeiro, com a morte de cruz favoreceu a humanidade inteira que foi, que é e que será. Mas depois, deu-nos também o exemplo quando lavou os pés. Era Deus, e nos lavou os pés, a homens. Portanto, também nós podemos lavar os pés dos nossos irmãos.

      Podemos, não. Devemos. Isso é o cristianismo: servir, servir a todos, reconhecer patrões em todos. Se nós somos servos, os outros são patrões.

      Servir, servir. Procurar alcançar a primazia evangélica, sim, mas pondo-nos a serviço de todos.

      A serviço… Eis uma ideia que pode revolucionar o mundo. O cristianismo não é uma brincadeira, o cristianismo é uma coisa séria, não é uma mão de verniz, um pouco de compaixão, um pouco de amor, um pouco de esmola.

      O cristianismo é exigente, é plenitude de vida.

08 outubro 2020

Sem limites

      Amemos o irmão. Os irmãos são a nossa grande oportunidade. Não percamos nenhuma, ao longo de todo o dia.

      Amemos aqueles a quem costumamos dirigir nosso cuidado pelo fato de os vermos fisicamente ao nosso lado.

      Amemos aqueles que talvez não estejam à nossa vista. Por exemplo, aqueles de quem falamos ou se fala, aqueles de quem nos lembramos ou por quem rezamos, aqueles de quem temos alguma notícia no jornal ou na televisão, aqueles que nos escrevem ou a quem escrevemos, aqueles a quem se destina o trabalho que nos ocupa dia após dia…

      Amemos os vivos e aqueles que já não estão mais na terra.

07 outubro 2020

Um por vez

      Precisamos dilatar o coração segundo a medida do Coração de Jesus. Quanta labuta! Mas é a única necessária. Isso feito, tudo feito.

      Trata-se de amar a cada um que de nós se achega, como Deus o ama. E, dado que estamos no tempo, amemos ao próximo um por vez, sem guardar no coração resquícios de afeto pelo irmão encontrado um minuto antes. Afinal, é o mesmo Jesus que amamos em todos.

      Mas, se o resquício fica é porque amamos o irmão de antes por nós mesmos ou por ele… não por Jesus.

      E aí está o problema.

      Nossa obra mais importante é manter a castidade de Deus, ou seja, manter no coração o amor, como Jesus ama. Portanto, para ser puro, não é preciso tolher o coração e nele reprimir o amor. É preciso dilatá-lo segundo a medida do Coração de Jesus e amar a todos.

      Como basta uma hóstia santa entre os bilhões de hóstias na Terra para nos alimentarmos de Deus, basta um irmão — aquele que a vontade de Deus nos põe ao lado — para comungarmos com a humanidade, que é Jesus místico.

      E comungar com o irmão é o segundo mandamento, aquele que vem imediatamente após o amor a Deus e como expressão dele.

06 outubro 2020

Fora os julgamentos!

      Na qualidade de cristãos, somos chamados a contribuir para o “ut omnes”1. Então, antes de mais nada, reavivemos a nossa fé em que cada homem é chamado à unidade, porque Deus ama a todos.

      E não arranjemos desculpas como: “aquele lá nunca vai entender”; “aquele outro é pequeno demais para compreender”; “aquele ali é parente meu e o conheço bem, é apegado às coisas da terra”; “este aqui acredita no espiritismo”; “aquele acolá é de uma outra religião”; “este é velho demais para mudar”…

      Não! Fora todos esses julgamentos! Deus ama a todos e por todos espera.

05 outubro 2020

Todos candidatos à unidade

      A fraternidade universal liberta-nos de todas as escravidões, porque somos escravos das divisões entre pobres e ricos, entre gerações — pais e filhos —, entre brancos e negros, entre raças, entre nacionalidades. Somos escravos, criticamo-nos, erguemos obstáculos entre nós, criamos barreiras.

      Não! É necessário desvincularmo-nos de todas as escravidões e vermos em todos os homens, em todos os homens mesmo, possíveis candidatos à unidade com Deus e à unidade entre si.

04 outubro 2020

Abrir o coração de par em par

       É preciso abrir o coração de par em par, transpor todos os obstáculos e abraçar a fraternidade universal: eu vivo pela fraternidade universal!

      Se somos todos irmãos, devemos amar a todos. Devemos amar a todos. Parece uma coisinha de nada… Mas é uma revolução!

03 outubro 2020

Fraternidade universal

      Acima de todas as coisas, a alma deve sempre dirigir o olhar para o único Pai de tantos filhos. Depois, ver todas as criaturas como filhas do único Pai.

      Com o pensamento e com o afeto do coração, ultrapassar sempre todos os limites interpostos pela vida simplesmente humana e tender, constantemente e por hábito adquirido, à fraternidade universal num único Pai: Deus.

      Jesus, nosso modelo, ensinou-nos apenas duas coisas que são uma só: sermos filhos de um único Pai e sermos irmãos uns dos outros.

02 outubro 2020

A primeira qualidade do amor

      A primeira qualidade do amor cristão é amar a todos.

      Essa arte de amar pretende que amemos a todos, sem distinção, como Deus ama. Não há que escolher entre simpático ou antipático, idoso ou jovem, compatriota ou estrangeiro, branco ou negro ou amarelo, europeu ou americano, africano ou asiático, cristão ou judeu, muçulmano ou hinduísta…

      Valendo-nos de uma linguagem bastante conhecida hoje, podemos dizer que o amor não conhece “nenhuma forma de discriminação”.

01 outubro 2020

A caridade

      Amar. Deus convoca todos os cristãos a amar. É porque, no cristianismo, o amor é tudo.

      Santo Agostinho, mestre da caridade, diz em tom muito forte:

      “Só o amor diferencia os filhos de Deus…

      Se todos fizessem o sinal da cruz (que é um ato religioso), se todos dissessem amém e cantassem o aleluia (ou seja, se praticassem as liturgias, que são muito importantes, mas só fizessem isso…); se todos recebessem o batismo e entrassem nas igrejas, se mandassem erguer as paredes das basílicas, permaneceria o fato de que só a caridade distingue os filhos de Deus…

      Quem possui a caridade nasceu de Deus, quem não a possui não nasceu de Deus. Eis o grande critério de discernimento.

      Se tu tivesses tudo, mas te faltasse essa única coisa, de nada serviria o que tens. Se não tens outras coisas, mas possuis essa, cumpriste a lei…"